A cidade sendo cidade

Os planos de uma casa “legal-vegan-permacultural-sustentável” tiveram que ser interrompidos depois que me mudei. Duas horas e meia para fazer um percurso de mais ou menos 40 km na ida para o trabalho e podendo chegar a três horas na volta, não estava fácil de aguentar. Morando mais perto do trabalho as coisas deveriam melhorar… E melhoraram. Mas não se enganem. O trânsito não melhorou, o engarrafamento continua lá, eu que deixei de passar por ele.

Nessa nova casa, no entanto, as reflexões e ações sobre questões “verdes” continuam surgindo. Seja na produção de mudinhas (já temos duas de cebolinha, uma de cebola e uma de alho. Em breve, fotos) e no desejo de conseguir envolver as crianças do entorno nessa produção; ou quando o nariz fica ardendo e a garganta seca fazendo-nos questionar o que há de errado.

Esse segundo ponto tem me proporcionado algumas reflexões. No tempo frio, geralmente as pessoas são acometidas por alguns problemas respiratórios, tidos como normais para essa época do ano. Mas o quanto de “normal” tem nisso tudo? Onde moro agora, por exemplo, só existe entrada/saída de ar (janela e porta) de um dos lados da casa. Como fazer o ar circular nessas condições? Se você nunca notou, quando tiver em um ambiente com janelas/portas em direções opostas experimente abrir apenas um dos lados e observe o ambiente, depois abra os dois e veja como que quase imediatamente uma corrente de ar se forma. No famoso livro Manual do arquiteto descalço, é possível descobrir ainda, por exemplo, como a posição das janelas vão permitir a entrada/saída de ar quente/frio.

brtUma outra questão importante nessa discussão é a constante piora da qualidade do ar na cidade do Rio de Janeiro. Na reportagem acima fica evidente que no planejamento urbano da cidade essas questões são completamente deixadas de lado.

Com isso, não quero dizer que as condições do frio não provocam alterações na gente, é lógico que mudam, principalmente em um local majoritariamente quente como a cidade do Rio de Janeiro. A minha tentativa é de chamar a atenção para nossa falta de atenção com o meio. É preciso “estar” de um jeito diferente no mundo, para que não moremos em uma casa, que é praticante um forno solar no verão, e um local propício para proliferação de ácaros no inverno. Para que não tenhamos projetos urbanos, nos quais os aspectos os aspectos negativos suplantam os aspectos positivos.

#ficaAdica