Um mês depois: é mais difícil do que parece

Como eu já esperava, com o fim das férias ficou complicado manter um acompanhamento diário do que acontecia no quintal. Abaixo, comento separadamente a situação atual das primeiras ações, composteira e hortinha de vasos; falo também sobre o pé de acerola e a captação da água da chuva feita “na tora”.

Composteira depois de sua primeira chuva (16 de janeiro)

Composteira depois de sua primeira chuva (16 de janeiro)

COMPOSTEIRA: Devido à falta de chuva, a composteira tem ficado muito seca, nas últimas três ou quatro vezes que acrescentei material fresco não adicionei material seco e ainda joguei um pouquinho de água. Depois da primeira chuva que pegou, fui revirá-la e encontrei 1 lesma, 1 gongolo e diversas larvas bem gordinhas (não sei de que inseto é, tem aproximadamente 1,5 cm), mas continuava sem apresentar cheiro ruim. Com o tempo a lesma e o gongolo sumiram e a quantidade de larvas diminuiu, após a última revirada (hoje de manhã) vi apenas uma larva. No momento minhas principais dúvidas são: *qual a frequência que devo revirar a composteira? Como fico preocupada em verificar se tudo está correndo bem, acabo revirando quase toda vez que vou acrescentar novo material. É certo que um dos elementos necessários para uma boa compostagem é o oxigênio, no entanto fico em dúvida se muitas reviradas podem atrapalhar o funcionamento; *a composteira está funcionando? Todo começo de compostagem é assim? Ela ainda não esquenta, isso tem relação com o volume de material, ou estou fazendo algo errado?

HORTINHA DE VASOS: O pimentão já estava com uns 2,5 cm quando coloquei ele para pegar o sol da manhã e acabei esquecendo dele. Resultado: secou completamente e não se recuperou (já plantei novas sementes, mas ainda não germinaram). A cebolinha parece estar morrendo. Puxando um dos raminhos verifiquei que a base parecia estar apodrecendo, a camada de drenagem do vasinho pode não ter sido feita direito. Coloquei o vasinho ontem de manhã no sol e desde então ainda não reguei, li que às vezes é preciso evitar excesso de água. Estou esperando para ver o que acontece. Como três plantinhas não resistiram ao sol (ervilha, pimentão e coentro) praticamente não estava deixando a cebolinha no sol. O alho é o único que até o momento parece estar “firme e forte”.

20140120_07441320140114_084159ACEROLA: Depois que retirei a erva-de-passarinho, o pé de acerola deu um salto incrível. Rapidamente floresceu e logo começaram a surgir várias acerolinhas. A última “remessa” de acerolas acabou madurando sem crescer muito. Não sei se por falta de nutrientes no solo ou por falta de chuva.

CAPTAÇÃO DA ÁGUA DA CHUVA: Como já comentei em outras postagens, o solo daqui tem um problema muito sério de absorção de água. Demora muito. Esse foi um forte motivo que me fez pensar em captação, o outro foi experimentar uma técnica da permacultura e economizar com a conta de luz (a água aqui é de poço artesiano, puxada com bomba elétrica). Pretendo utilizar essa água para molhar as plantas e lavar roupa basicamente. Abaixo, um pequeno esquema (feito no Gimp sem muita preocupação com proporção) de como foi feita:

esquema captação  Enquanto preparava a postagem começou a chover e aparentemente correu tudo bem \o/ O segundo andar da casa ainda está em construção, ou seja, pronto para receber projetos e novidades, que são mais dificeis de adaptar em uma casa já terminada. Seria ótimo se eu pudesse utilizar a água da chuva na descarga, mas a parte hidraúlica já está feita, depois vou estudar para ver o que é possível fazer nesse sentido. Se alguém tiver ideias de coisas “sustentáveis” que possam ser incorparadas na casa é só comentar aí embaixo. :)

Não conheço o pessoal, mas aproveito para divulgar Oficina de captação de água da chuva amanhã no Grajaú. (Para acompanhar outros eventos clicar em Onde ir?)

Outras ideias de captação que achei na internet:

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Captação IPEC utilizando ferrocimento

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____________POST___EDITADO____21 de fevereiro de 2014

Fotos da captação do esquema acima

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Composteira (07/01 até 14/01)

Composteira em 14/01

Composteira em 14/01

Composteira ou compostagem é o nome que se dá ao processo de produzir composto a partir do planejamento e combinação de técnicas e elementos. Na natureza selvagem quando um fruto cai da árvore e apodrece, com o tempo ele passa a fazer parte da terra novamente gerando nutrientes para a mesma árvore de onde caiu, completando assim um ciclo. Nesta sociedade, os frutos, folhas, raízes e legumes que comemos estão muito longe dos seus lugares de origem, seus talos, cascas e partes estragadas vão para o lixo. Colocando ponto final em algo que poderia estar infinitamente em movimento. A composteira é uma maneira de tentar incluir esses restos de alimentos dentro de um ciclo de maneira otimizada. Em uma rápida busca na internet encontramos mil maneiras de como ter uma em casa, no apartamento e no quintal. A minha ideia é deixar registrado aqui no blog todo o processo dessa que estou fazendo e depois experimentar outras maneiras, um pouco para testar essas mil que encontramos nas internetz. O comecinho dela, vocês encontram aqui.

Basicamente os “ingredientes” para fazer a composteira são:

Não está muito visível, mas nesta foto tem os rastros de uma lesma na segunda semana da composteira

Não está muito visível, mas nesta foto tem os rastros de uma lesma na segunda semana da composteira

O ideal é tentar colocar os restos dos vegetais em pedaços pequenos

O ideal é tentar colocar os restos dos vegetais em pedaços pequenos

  • material fresco (cascas de frutas, legumes, etc)
  • material seco (palha, serragem, cinza, papelão, etc)
  • água
  • ar

O que varia são os lugares onde produzir o composto e a quantidade dos “ingredientes”: em balde, direto na terra, em caixas ou barris; pouco material seco, muito material seco, com água, sem água…

Até agora ela parece estar funcionando bem, não está dando mal cheiro, nem bichos como barata, de vez em quando vejo uma aranha (daquelas pequenas que tem no mato), um besourinho. Em teoria, ela estará funcionando 100% se estiver esquentando bastante, a ponto de espantar insetos e não deixar que sementes germinem.

Principais fontes:

–  “Escola Sustentável”

escola

 

 

 

 

 

– “Soluções Sustentáveis”

agri

 

 

 

 

 

___________________Post_Editado___ 26/01/2014_________________

Em um momento de estudo e pesquisa, achei na Wikipédia um artigo sobre Compostagem que parece ser muito bom. Segue um pedacinho do que achei lá:

Os principais fatores que governam o processo de compostagem são:

a) Microrganismos: A conversão da matéria orgânica bruta ao estado de matéria humificada é um processo microbiológico operado por bactérias, fungos e actinomicetes. Durante a compostagem há uma sucessão de predominâncias entre as espécies envolvidas.

b) Umidade: A presença de água é fundamental para o bom desenvolvimento do processo. Entretanto, a escassez ou o excesso de água pode desacelerar a compostagem.

c) Aeração: A compostagem conduzida em ambiente aeróbio, além de mais rápida, não produz odores putrefatos nem proliferação de moscas.

d) Temperatura: O metabolismo exotérmico dos microrganismos, durante a fermentação aeróbia, produz um rápido aquecimento da massa. Cada grupo é especializado e desenvolve-se numa faixa de temperatura ótima. Promover condições para o estabelecimento da temperatura ótima para os microrganismos é fundamental.

e) Relação Carbono / Nitrogênio (C/N): Os microrganismos absorvem os elementos carbono e nitrogênio numa proporção ideal. O carbono é a fonte de energia para que o nitrogênio seja assimilado na estrutura.

f) Preparo prévio da matéria-prima: A granulometria é muito importante uma vez que interfere diretamente na aeração da massa original. Partículas maiores promovem melhor aeração, mas o tamanho excessivo apresenta menor exposição à decomposição e o processo será mais demorado.

g) Dimensões e formas das pilhas: Quanto ao comprimento, este pode variar em função da quantidade de materiais, do tamanho do pátio e do método de aeração. Já a altura da pilha depende da largura da base. Pilhas muito altas submetem as camadas inferiores aos efeitos da compactação. Pilhas baixas perdem calor mais facilmente ou nem se aquecem o suficiente para destruir os patogênicos. O ideal é que as pilhas apresentem seção triangular, com inclinação em torno de 40 a 60 graus, com largura entre 2,5 e 3,5 metros e altura entre 1,5 e 1,8 metros.

Primeiros trampos (05-01-2014 até 11-01-2014)

Uma das primeiras coisas que fiz foi fazer uma cata manual dos caramujos africanos. A quantidade aqui, principalmente no quintal atrás da casa, é bem elevada. Eles podem fazer o sonho de construir uma horta ir por água-baixo. Fiz uma rápida pesquisa na internet e recomendo essa reportagem no site da Fiocruz sobre como lidar com esses animaizinhos. Segundo ela, a preocupação com a inserção dos caramujos no nosso habitat está relacionada também com desequilíbrio ambiental e diversidade, já que eles não são muito seletivos no que comem e por não terem um predador natural.

20140106_092346Boa parte da madeira entulhada já estava bem apodrecida. Resolvi usá-la como material seco para a composteira. Com a mão mesmo fui desfazendo os pedaços de madeira e armazenei em uma caixa de plástico que eu já tinha. Com a ajuda do Marcus e de sua tico-tico, alguns pedaços de madeira mais resistentes foram cortados em vários pedacinhos para facilitar o processo de decomposição.

Escolhi um cantinho do quintal para fazer a composteira, seguindo mais ou menos as orientações daqui. Como base utilizei uma lajezinha (dessas que se compram prontas que vem junto com a caixa de esgoto) e para delimitar o espaço utilizei tijolos de alvenaria (sobras de obra). Ela ficou com mais ou menos 60cm X 45cm. Utilizei cimento somente para tampar os buracos dos tijolos, deixei-os  somente encostados uns nos outros. Preparei também uma tampa (provisória) utilizando materiais que eu já tinha em casa: tela, martelo, grampeador e cabo de vassoura.

Horta. O plano inicial era gerar terra boa com a composteira para começar a fazer alguns canteiros. E enquanto isso, eu plantaria coisas em vasinhos de planta, tentaria melhorar o solo e pensaria em uma solução para manter as gatinhas que tenho longe da horta (elas não podem ver uma terra fofinha revirada…). Mas ontem (11/01/2014), a Kika, namorada do meu irmão, veio falar sobre fazer uma horta, que tinha várias sementes e tal, já pensando em plantar direto no solo. Ainda não sei como farei (ou faremos). Falamos rapidamente sobre a composteira e ela lembrou que é uma prática bem parecida com a do banheiro seco que ela viu em um squat. São parecidas porque estão dentro do mesmo princípio, o da permacultura.

Mudinhas de coentro, alho e cebolinha (plantei a partir do que vende no supermercado mesmo)

Mudinhas de coentro, alho e cebolinha (plantei a partir do que vende no supermercado mesmo)

Primeiros dias da composteira

Primeiros dias da composteira

Acerola sem a erva-de passarinho.

Acerola sem a erva-de passarinho.

Quintal sem as madeiras entulhadas, mas com algumas ainda espalhadas

Quintal sem as madeiras entulhadas, mas com algumas ainda espalhadas

Cantinho da composteira

Cantinho da composteira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

—————– POST— EDITADO — 07 de fevereiro de 2014————————-

Um link sobre permacultura que achei no Jardim do Mundo bem melhor!