Por que um blog sobre “experiências verdes”…

… e não um sobre minha rotina diária?

Há alguns dias venho pensando em preparar uma postagem mais “teórica” para o blog. Nas minhas pesquisas nas internetz vez ou outra encontro um site ou blog de pessoas que gostam de plantas, que utilizam como hobbie o plantio de alguns temperos ou ainda de pessoas que consideram cool ser sustentável. Não vejo nenhum problema em gostar de plantas, cultivar temperos para passar o tempo e ser “legal” sendo sustentável, a questão é que para mim essas práticas tem (ou deveriam ter) relação com algo mais complexo. Escolher experimentar plantar algumas coisas não é algo equivalente à sair para fazer umas comprinhas no shopping ou ainda à jogar video game (embora jogar video game seja muito legal). Mas, por que não é?

Mais uma da série “Nobody yes door”: o que estamos fazendo com nossas potencialidades?

Página no Facebook que faz piadas com os clichês das internetz provando que tem coisas que definitivamente ninguém faz questão de saber

Um dos pontos no qual quero chegar é na dimensão individual X social. É comum que separemos a nossa vida em setores, quem nunca disse ou presenciou frases do tipo: “Estou falando da minha vida profissional”, “Tal coisa é uma escolha pessoal, não é uma escolha política”?  No entanto, muitas ações da nossa vida pessoal tem relação direta com o âmbito social em muitos sentidos. O gosto de fazer comprinhas no shopping para passar o tempo, por exemplo, está envolvido em uma complexa cadeia de relações.

O produto que você compra tem uma história, ele não surgiu de um estalar de dedos. Foi produzido com certa matéria-prima, a qual foi extraída de tal lugar, x reais foram pagos para quem produziu, foi tranportada de determinada maneira e vai ser descartada de determinada maneira. (O vídeo acima aborda bem essa questão.) Mas então não existem coisas que só dizem respeito ao campo pessoal? De certo que existem coisas que fazemos que não dizem respeito e nem interessam a ninguém, mas elas não deixam de ser políticas. Eu procuro conferir dimensões políticas e sociais às minhas ações pessoais. No campo do ensino da geografia alguns autores* e algumas autoras utilizarão o conceito “totalidade-mundo” como proposta de ensino nessa área. Essa proposta consiste em problematizar o que reza a tradição, ensinar primeiro o que está na esfera local e depois partir para a esfera global, adotando uma perspectiva que relacione local -> global e local <- global, buscando a totalidade-mundo. Penso que essa proposta é bem útil para entender o que eu estou falando, a questão é pensar nas relações que estabelecemos e nos discursos que (re)produzimos quando tomamos essa ou aquela ação.

*Tive contato com essa discussão lendo o capítulo 3 do livro “Ensinar geografia: o desafio da totalidade-mundo” de Rafael Straforini.

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